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domingo, 12 de setembro de 2010

Infeliz 188 anos de 7 de setembro

por Rafael Marques

Saudações galerinha,
hoje se encerra a semana do 7 de setembro. Os desfiles e as comemorações terminaram. Realmente já é domingo e as pessoas nem se quer se lembram que esta foi a semana da independência. Pois é, não é de se surpreender, afinal de contas, o brasileiro costuma nem mesmo lembrar do que foi essa data histórica, e qual foi seu real significado para a história do Brasil. Nosso amigo blogueiro postou recentemente um texto a respeito do dia 7, salientando que não há o que se comemorar de fato diante das desigualdades, misérias, corrupções e tantos outros problemas do nosso Brasil. Realmente, ele tem razão em ser um tanto pessimista, apesar de sua ironia negra me incomodar um pouco. Eu concordo com ele, pois devemos nos lembrar de que a independência do Brasil, assim como das demais colonias Americanas, foi um reflexo de uma crise estrutural do chamado Antigo Regime. 
Quando o modo de produção feudal entrou em colapso, de suas próprias ruínas começaram se delinear os esboços da nova sociedade que se formava. Porém, do ponto de vista econômico,para que tal sociedade completasse sua formação, era necessário que houvesse uma acumulação de capital, para então, anos mais tarde, este capital se converter em riquezas ou num capital ainda mais produtivo que o então vigente. Para que essa acumulação se realizasse, era necessário uma politica econômica que favorecesse os interesses particulares de cada Estado,essa politica econômica era o mercantilismo. O mercantilismo, portanto, ao buscar favorecer os interesses de cada Estado, se caracterizava por um regime monopolista que tendia a concentrar capitais para fazer frente a concorrência das outras potências. Para que o mercantilismo fosse aplicado de forma plena era necessário uma organização politica absoluta, em que o monarca tivesse plenos poderes para agir em nome do Estado: surgiu então o absolutismo.  Assim,pra resumir, a colonização das Américas foi apenas uma expressão desses acontecimentos. Ela só pôde existir da forma como existiu, porque naquele momento histórico foi importante para os interesses dominantes uma forma de dominação coerciva e monopolista, privilegiadora dos objetivos de cada Estado.
Por fim, quando na Europa os elementos da acumulação de capital alcançaram seu auge, se consolidou a formação da nova sociedade, a sociedade moderna. Do ponto de vista econômico, o marco  foi a Revolução Industrial, e do politico, a Revolução Francesa. O que realmente nos interessa aqui é saber que a crise do modo de produção feudal levou à formação da sociedade moderna e esta, para efetivamente se formar, precisava desenvolver os elementos de sua síntese, por isso, a grosso modo falando, existiu o Antigo Regime. Quando este entrou em crise, a nova sociedade já estava formada, daí já não fez mais sentido existir o mercantilismo, o sistema colonial  e o absolutismo, que ruíram sobre os auspícios das Revoluções Francesa e Industrial.
Quando lá na Europa tudo isso aconteceu, aqui no Brasil seus reflexos chegaram iluminando o sol do dia sete de setembro. Bom, lamentavelmente, quem fez a independência foram os aristocratas liberais descontentes com o exclusivismo colonial, não o povo. O povo, eram os escravos, indígenas e colonos degredados  ou pobres que vivia na colonia mendigando , se prostituindo ou roubando,sendo violentados  por este sistema que alterou sua lógica de exploração, mas, no fundo, continuou oprimindo suas vítimas. Depois, o imperialismo britânico iniciou um novo colonialismo, desta vez não formalmente, mas informalmente, o que mais tarde, pós-primeira guerra mundial, seria a vez dos Estado Unidos continuar a missão de colonizar os povos da América, para que ainda hoje as pessoas dissessem que vivemos em um país livre, sem dívidas, democraticamente raciais e felizes, como se de fato as raízes daquele passado longínquo ainda não estivessem vivas em nosso presente.  

2 comentários:

  1. Essa sua linha de pensamento econômica da história é interessante...parecia que estava lendo algo de Caio Prado Junior..rsrsrs.
    Porém sou mais apegado ao ideológico, a mentalidade no periodo, ou seja, o politicamente correto do periodo já não podia suportar tal regime.
    "O povo, eram os escravos, indígenas e colonos degredados ou pobres que vivia na colonia mendigando , se prostituindo ou roubando,sendo violentados por este sistema que alterou sua lógica de exploração, mas, no fundo, continuou oprimindo suas vítimas."...mas que dramático,,hehehe..será que não podia haver alguém feliz na época???

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  2. Claro q existiam pessoas felizes.
    "dom Pedro II, Princesa Isabel, as Altas Patentes do Exercito que ainda boiam no pós- paraguai".
    E exatamente como hj a grande maioria é estrupada sem nem mesmo saber. O famoso boa noite cinderela, mas hj a cinderela não acorda nem mesmo com o bjo do simples.

    ps:oq me incomoda é positivismo marxista de um certo alguém. kkkk

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