Após o último debate entre os presidenciáveis na rede globo, discussões como moradia, transporte, saúde, segurança e outros, foram tratadas de maneira superficial pela maioria dos candidatos. No post anterior a este, expus a idéia de que a administração do dinheiro público é uma das raízes que forma a grande árvore de problemas socioeconômicos no país. As conseqüências desta má gestão, influencia todos os setores, inclusive os mais importantes: a saúde, a educação e a segurança.
II
Acho que não precisamos ser muito inteligentes pra saber que um bom país só alcança bons índices de desenvolvimento humano quando as bases de seu crescimento se alicerçam no trinômio: saúde, educação e segurança. Antes de falar nestes setores, vamos passear um pouco sobre a atual gestão do país. Pois é. O problema é que até agora soubemos muito bem falar mal dos governos neoliberais do Collor e FHC e do governo Lula fizemos um paraíso. Foi no seu governo, afinal de contas, que se criou o Prouni, o Bolsa Família e Minha casa Minha vida. A questão é que a visão de que este governo transformou o Brasil é resultado de um processo muito claro de fabricação da imagem de um ícone, cuja liderança política favoreceu largamente(mais que seus antecessores) os interesses dominantes. Para mostrar prova disto, basta lembrar quando o Lula assumiu o poder em 2002, os capitais estrangeiros começaram a fugir do país, expressando o medo dos investidores externos de que ele fosse aplicar o programa pró-sindicalista que tanto defendeu nos anos 80. Aquela fuga de capitais gerou uma crise econômica que levou o real a se desvalorizar em relação ao dólar numa proporção de 1/3. Logo em seguida, a situação se estabilizou. Os capitais externos voltaram e o Brasil foi considerado uma das grandes potências emergentes do mundo (BRIC). Sabe por que a crise se normalizou e os capitais voltaram? Porque a burguesia descobriu que o Lula já não era mais aquele cara que enfrentava os interesses dominantes em nome do trabalhador. Aquele era um novo Lula. Era o cara que, hoje as estatísticas mostram, elevou a riqueza do país aumentando os lucros da burguesia. O pobre não gozou de muita coisa. Embora o salário mínimo tenha subido 57%, os lucros empresariais subiram ainda mais, alcançando 500%. Para conter a explosão social no nordeste, o Bolsa Família veio como símbolo de preocupação do governo com os mais pobres. No entanto, o nordeste não recebeu o principal, que é a infra-estrutura decente, educação de qualidade e empregos fixos.
Também no seu governo se percebeu a acentuação do processo de proletarização dos professores, resultado de uma política de governo neoliberal que já vem nos perseguindo à 20 anos. Menos de 7% do PIB é investido em educação. Salários baixos, infra-estrutura vergonhosa e conseqüente desvalorização do profissional da área em todas as regiões, este é o panorama geral do setor de ensino do país,basta ver a grande colaboradora deste processo que é a mídia de televisão. Assim, a população de São Paulo, por exemplo, cresce vertiginosamente, enquanto não conseguimos enxergar uma (EU DISSE UMA!) única escola ser construída. Como resultado as salas de aula são super lotadas, o profissional que ganha misérias precisa trabalhar o dobro para sobreviver, conseqüentemente a qualidade de seu trabalho cai, e aí está formado um ciclo de autodestruição da educação que se alimenta e cresce cada vez mais.
Outro profissional é o médico público. Ele, como o professor, não dispõe de um salário digno, de infra-estrutura decente e muito menos é valorizado. Como a educação do ensino superior ( me desculpem a expressão) tá uma merda, muitos se formam preparados pra esquecer bisturis na barriga dos pacientes. Resumindo, os médicos bons são mal pagos e mal equipados, os ruins se formam açougueiros e atuam como médicos sem nenhuma fiscalização que os detenha. Aonde isso vai parar?!!
Como a infra-estrutura do país tá um lixo, a educação na pindaíba, a saúde mais matando que salvando vidas e a economia gerando lucro pra uma minoria de milionários, temos um processo de crescente criminalização civil, crescimento da prostituição infantil e propagação do uso de drogas no país. Quem vai enfrentar estes problemas além do médico e o professor? O policial. Mal pago, mal equipado, incumbido de vencer o crime que nunca será capaz de vencer porque suas raízes estão fincadas na alta cúpula do Estado e das elites financeiras. Sem contar a corrupção que vem se proliferando no meio das autoridades militares, fruto dessa expansão do crime numa sociedade em que a proteção e as boas condições de vida só atingem as classes dominantes. Só no governo Lula todas estas importantíssimas profissões (sem contar os outros casos) entraram em greve pelo menos mais de uma vez. Coincidência? Vimos no texto anterior os problemas gerados pela má gestão do dinheiro público. O fruto dessa má gestão brota na horta desses profissionais. O pior é que ele brota podre, revelando o tamanho da ferida social que tem no país. Não é a toa que são essas as profissões atualmente mais desvalorizadas no Brasil em proporção de sua importância, e que registram os maiores índices de abandono e insalubridade.
de novo redundancia e pra entrar na onda.
ResponderExcluir"o proximo presidente só terá q se preocupar com que roupa estara para entregar a taça da copa do mundo de futebol."
A educação é a base para qualquer mudança ou benefício que almejamos. Um país precisa de pessoas conscientes, que conheçam realmente o significado de ser cidadão.
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