quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Sentir-se mulher e ser mulher
Após o post sobre o comportamento feminino em relação ao seu ideal de principe encantado, escrito pelo Claudio "vacilão", achei interessante dar continuidade a este debate colocando o meu ponto de vista sobre o assunto.
Bom, em primeiro lugar, devo contradizer a ideia do Claudio e do Balta, que dizem que a mulher falta com a verdade. Nossa consciencia normalmente contradiz nossas raízes inconscientes, o que ocorre com as mulheres é que conscientemente elas desejam mesmo o principe que idealizam, no entanto, a experiencia com alguem diferente do seu ideal pode leva-las a aceitar este amor, pelo fato de realiza-la como "mulher". Veja bem, a mulher é uma idéia social-histórica, e no caso de nossa sociedade, ela é o produto da vontade masculina, nossa cultura a idealiza como objeto de realização do homem. Toda sua feminilidade se volta para o prazer do sexo oposto, a seviço dele, como se suas roupas, aparencia, estilo de vida e pensamento se constituissem a partir dos olhos do sujeito de sua relação, que é o homem. Prova disso são as propagandas de televisão, os diversos mecanismos publicitários que propagam essa cultura masculinizada. Por este motivo, sentir-se mulher pode ser diferente de ser mulher.
Enquanto, o machismo se encrustar na mentalidade da maior parte da sociedade, a mulher continuará vivendo a contradição de sentir-se "feliz" como sujeito passivo, como alguém que fica sempre contente quando sentir-se desejada ( e aí o sexo tambem é um produto cultural machista).
Embora existam muitos outros fatores que influenciam o comportamento da mulher, como por exemplo, as relações econômicas, sociais, a situação histórica do trabalho,etc, a mulher tem conquistado muitos direitos que tem contribuido de alguma forma para uma futura emanciapação. O que nós homens podemos fazer? Bom, mudar tambem nosso papel de homens, mudando nossa concepção de mulher. È doloroso saber que homens e mulheres vivem contradições em seus relacionamentos por conta do patriarcalismo cultural, porem, é necessário lutar para que haja uma superação no âmago das relações sociais, que igualize o homem e a mulher.
Assim, concluo, dizendo que as mulheres não mentem, como os homens, elas reproduzem as contradições de sua cultura com sua posição nas relaçoes sociais. O principe encantado, bonzinho e carinhoso realiza sim uma mulher. Porem, infelizmente o ideal estético predominante masculino é o do homem que domina,que provÊ e proteje; levando grande parte das mulheres a desejá-lo tambem.
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